História

O adágio francês «se queres pão, semeia Cânhamo» significa que a seguir ao cultivo do Cânhamo as terras ficam férteis para as sementeiras do trigo.

 

O seu nome científico é Cannabis Sativa L.

Para além da Cannabis Sativa L, existe também a Cannabis Indica e a Cannabis Ruderalis. Estas duas últimas, diferenciado-se da Cannabis Sativa L, por possuírem tetrahidrocanabinol (THC), um dos 400 compostos da planta, incluíndo outros canabinoides, como o canabidiol (CBD), canabinol (CBN) e tetrahidrocanabivarin (THCV).

O Cânhamo é uma planta industrial, pertencente à família das Urticáceas, subfamília das Cannaboideas, originária do Oeste da Ásia.

Com reduzido teor de THC / 0,2  (tetrahidrocannabinol), revela-se cada vez mais uma matéria prima alternativa e as vantagens naturais e ecológicas desta cultura são evidentes, dispensando a aplicação de herbicidas e fungicidas.

As suas inúmeras aplicações fazem, decididamente, desta planta a mais versátil do mundo. (IPJ, Lda)

Com os conhecimentos de hoje, pode-se afirmar, sem margem de erro, que a partir do Cânhamo Industrial tudo se faz, menos “fumar”.

 

“A cultura do Cânhamo Industrial tem vindo a ser alvo de um crescimento exponencial nos países industrializados, não sendo alheio a tal facto as suas inegáveis vantagens ecológicas, para além da sua elevada rentabilidade.”

Dec. Reg. nº 23/99 de 22 de Outubro

 

História do Cânhamo

Desde os primórdios da humanidade que esta planta é usada pelo homem. É utilizada desde há mais de 8.000 anos pelas civilizações humanas. A roupa feita de cânhamo tem propriedades termodinâmicas, sendo fresca no verão e quente no inverno.

As primeiras culturas em larga escala, da história do homem, foram de Cânhamo e tiveram início em meados de 8.000 a.C., no Médio Oriente (www.diariodaerva.com).

Pensa-se que os Mongóis, Tártaros e Japoneses já conheciam este têxtil, antes mesmo da seda e do algodão. Aparece também mencionado em antigas obras chinesas.

Segundo Heródoto (484 a.C.), os escritas já usavam o Cânhamo e supõe-se que tenham sido eles, nas suas emigrações, que o introduziram na Europa (Estudantes de Biologia - 3º Ano - da Universidade de Évora).

Esta fibra já é conhecida na produção de papel desde 207 a.C., na China, e Gutemberg desenvolveu a imprensa utilizando este tipo de papel, por volta de 1456, na Europa. Rembrandt e Van Gogh utilizaram-no em tela. O rascunho oficial da Declaração de Independência dos E.U.A, assim como o papel de tipografia e jornal. Até o papel fino – papel de dinheiro –, também é à base de cânhamo. Já foi, inclusivamente, encontrado papel com cerca de 1500 anos!

O Japão tem uma tradição religiosa que impõe ao Imperador o uso de roupas de cânhamo. Para esta tradição há uma pequena parcela de terra - canhameiral - mantida para a família imperial.

Os primeiros jeans da Levis - em 1900, nos E.U.A. - eram manufaturados com Cânhamo.

Existem, hoje em dia, companhias industriais a fabricar materiais isolantes, substitutos do betão, da fibra de vidro e plásticos, a partir do caule da planta, principalmente na França e Alemanha.

MDF – utilizando a fibra combinada com aglutinantes resinosos, obtêm-se tábuas compensadas de fibra de média densidade (MDF), que são 250% mais resistentes que as suas congénitas de madeira e 300% mais flexíveis.

 

História do Cânhamo em Portugal

Em terras portuguesas, o cânhamo já era cultivado desde o séc. VIII, por influência árabe e foi de grande importância por volta dos séc. XV e XVI, época dos descobrimentos, pois era a matéria prima para a preparação de cabos e velas para as embarcações.

Nos reinados de D. Manuel I (1495-1521) e de D. João III (1521-1557) estabeleceram-se, em território nacional, plantações de cânhamo para a sua posterior transformação e fabricação de massame, amarras, cordame e aparelhagem das frotas marítimas, nas localidades e regiões escolhidas pela sua capacidade e excelência para a produção de cânhamo (que exige bons solos, senão as melhores parcelas), controlando a produção, impondo ditames aos lavradores e a sua referida transformação em regime de Monopólio estatal. “No ano de 1513, D.Manuel mandou a África uma poderosa armada de 400 navios...”

D. João IV publicou um Decreto-Real, 29 de Agosto de 1656, para a região de Torre de Moncorvo. Este documento incluía toda uma série de rigorosos regulamentos de forma a aumentar, garantir e fiscalizar a produção e o cultivo dos linhos.

De 1799 existem dois registos, por ordem de Sua Majestade, intitulados de “Tratado do Cânhamo” e “Descripção sobre a cultura do Canamo, ou Canave”.

Entre os anos de 1935 e 1970, foi grande impulsionador desta cultura, à data regente agrícola, o Sr. Celestino Graça. Assim como na industria transformadora a Companhia de Fiação e Tecidos de Torres Novas.

A cultura fez-se em “Terras do Paul”, Riachos/Golegã, nos campos do Mondego, Moncorvo, Caia, Coruche/Mora, entre outros.

Em 1937 fizeram-se os “primeiros” ensaios em várias regiões. Um ano mais tarde, os resultados mais positivos verificaram-se no Ribatejo.

Em 1939 cultivaram-se 8 hectares, e em 1944 o salto deu-se para os 800 hectares de cultivo de Cânhamo.

(Dados gentilmente cedidos pelo Museu Agrícola de Riachos)

Dos Topónimos, destaca-se, Marco de Canavezes (O Rei Vai Nu. P.185. 2003).

 

A importância dos aminoácidos.

Um ser humano precisa de 21 aminoácidos. Destes, oito são essenciais, mas dois deles merecem maior destaque. Nenhuma outra planta ou alimento de origem animal, além do Cânhamo, contém os dez primeiros aminoácidos necessários para a saúde.

De teor de proteínas, 65% estão sob a forma de edestin globulina. Os outros 35% do teor de proteínas são a albumina. A globulina encontra-se no plasma sanguíneo.

Parte do problema é a estrutura dos alimentos que os contêm e, por outro lado, porque os seres humanos não estão suficientemente “qualificados” como comedores de carnes para digeri-las… Neste contexto, as sementes de Cânhamo também contêm quantidades suficientes de zinco, ferro e magnésio, três dos mais comuns metais/minerais envolvidos em doenças de deficiência mineral.

(http://i-legumes.com)

 

Documentos interessantes:

  • 20 registos, entre livros, revistas e jornais, na Biblioteca Nacional de Lisboa.
  • Tese de Mestrado, Arquiteta, da Sra. Rute Maria Gonçalves Eires (2006).
  • Tese de Mestrado, Agronomia, do Sr. Carlos Montemor (1996).
  • Tese de Mestrado, Engenharia, da Sra. Cristina Romão (2000).
  • Tese de Mestrado, Engenharia Civil, de Fábio Luís Fernandes (2010).
  • João Carvalho, Cultura do Linho e do Cânhamo na região de Torre de Moncorvo na 2ª Metade do século XVIII. Pós-Graduação em Estudos Locais e Regionais
  • Trabalho realizado de três estudantes de Biologia - do 3º ano - da Universidade de Évora.
  • Serviços Educativos do Museu Agrícola de Riachos - MAR - para o 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico.

 

Na 2ª edição da Feira do Cânhamo – 19 de Junho de 2009 – no edifício da Alfandega do Porto.

«Não existem transformadores nem produtores de Cânhamo em Portugal» - segundo Carla Fernandes, da organização - «por falta de resposta e empenho das autoridades».

 

Em jeito de conclusão:

Não podemos permitir que só em tempos de crises mundiais autorizem massivamente o cultivo desta planta e a valorizem.

  • Foi assim no séc. XV, antecedendo a epopeia dos Descobrimentos;
  • Foi assim em 1656, após a independência de 1640;
  • Foi assim aquando da 1ª grande guerra mundial (1900/1905);
  • Foi assim devido à guerra de Itália/Abissínia (1935);
  • Foi assim aquando da 2ª grande guerra mundial (1939/1945);
  • Foi assim em 1998 / 2001 por via dos subsídios comunitários à produção.

 

Não podemos aceitar que cidadãos falem sem saber, como aconteceu na antiga Assembleia Nacional, nos anos 70 “…o perigo nº 1 para a sobrevivência do homem.”  (“O Rei Vai Nu”. P. 186. 2003)

 

Longe de ser um resumo acabado, agradecemos contributos.

 

Bem hajam!

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